sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Teia

Da série: Do fundo do baú (03/02)

Teia

Respiro
Mas estou preso
Amarrado
Envolto em ceda viva

É macio
Delicado e suave
Mas ao mesmo tempo
É forte e consistente

Brilha
Cintila
Tem um odor suave
Sinto-me flutuar em puro mel
E algodão-doce

O vento vem em meu auxílio
Mas não adianta
É muito resistente

Então
Ouço um som se aproximando
Sinto a sede por sangue
E a fome por carne

Sua picada é dolorida
Decepa minha perna
Sinto o sangue verter

É tão quente
Que me entrego

Morro.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Please

Da série: Do fundo do baú (10/04)

Please

I’m here, standing alone in the dark night
I need warmth
I need light
I need love
I need someone who can take me away from Earth
To our moon of pleasure
I’m uneasy
I can’t wait anymore
I’m burning inside
Let’s shiteru, kudasai
Touch me
Kiss me
Please me
I’m here, anticipating for love
And this wait is killing me
Come, and turn me on
Please, do it to me
Because I need you this dark night
And all the other ones too
Please, come into me
I’m here, standing alone
Only waiting for you

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Quero escrever um poema de amor

Da série: Velho mas não tanto (03/07)

Quero escrever um poema de amor

Quero escrever um poema de amor
Algo inspirador e profundo
Um suspiro dentro da tormenta
Um grito de candura e amor
O texto que todos irão comentar
E aplaudir pela genialidade

Portanto, devo repetir padrões
Um soneto me tornaria pedante
Assíndetos e metonímias perfeitas
Com 100 versos de rimas intercaladas
Todas pobres travestidas
E sem sentido real

Um poema concreto teria valor
Num mundo organogramico e lógico
Serei o coração, serei a flecha
Ou o tapa na cara do tarado safado?
Serei a palavra amor de ponta cabeça
Pulando do abismo literário

Mas antes de tudo isso
Serei a imagem literária petrificada
Amor, flor, dor, pavor, ardor
O velho poeta lusitano à margem do rio
O espectador passivo da pobreza humana
Que finge repúdio e falsa anarquia

Serei o amontoado de palavras chulas
Que chocarão os mais pudicos
A coleção de imagens artísticas
Sem concatenação entre si
E para escrever a ode à Atena pagã
Tomo da pena esferográfica

E enquanto me ocupo com isso
Me esqueço que o papel não importa
Que a poesia não está nas palavras bonitas
Nas construções rebuscadas
Nem no ego agigantado
De quem se diz poeta

Cada sorriso seu é um soneto
Seu corpo é decassílabo e rimado
Seu sexo é concretamente abstrato
E é disso que quero me alimentar
Que o mundo da poesia fiquei aos hipócritas
Vou partir para algo mais poético

Pois quero viver um grande amor!