terça-feira, 27 de maio de 2008

Hands

Hands

I look at your hands
Strong and powerful
Your long and defined fingers
And your extended palms
With such a beautiful curve
And your nails
Always perfectly done
And that tattoo on your left wrist
Telling your biggest secret
Written in Japanese
That short and soft hair
At the back of it
That I love to feel on me
And that alluring ring
That marked our past and future
Shining and glittering and sparkling
Hard as diamond
Your hands
I feel them against my neck
As you strangle me
During our final intercourse
And as I come for the last time
I give away all I ever was
To my eternal beloved one

domingo, 18 de maio de 2008

Locomotiva

Locomotiva


Triste
Com frio

Não pude suportar mais
Aquele lugar infernal
Anos de abuso e terror
Apenas o ódio para me aquecer
Como tapas na face
Fustigada pelo vento
E geada da indiferença
Minhas rugas de 17 anos
Sangrando de fome e sede
Fugi

A rua acolhedora
Proveu-me do que precisei
Roupa usada e comida descartada
Pelo tempo suficiente
Para juntar o dinheiro necessário
Vendendo apenas aquilo
Que tinha para oferecer
Um último cliente
Banhei-me do sangue e sujeira
Comprei a passagem
Segui

Vagão vazio
Tantas cidades passam pela janela
Nenhuma aconchegante o suficiente
Ninguém que me alente
Porém as montanhas brancas da paisagem
Mostram-me o que nunca enxerguei
Que minha felicidade não está em um lugar
Mas no meu movimento contínuo
Por isso sigo neste trem
Que corre as montanhas nevadas
Centenas de anos depois
Continuo

Não só
Pois a neve me acompanha
Não triste
Pois o pavor dos vivos me alegra
Não com frio
Pois o carvão etéreo da fornalha me aquece

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Encontrei-me com meu amado

Encontrei-me com meu amado

Lamento-me não ter-me encontrado com meu amado
Quando tinha amor esperança fé
Tudo teria sido mais perfeito melhor
Agora vivo no vazio desamparo desalento
Minha alma oca pobre
Afunda constantemente
Na lama da desilusão

Neste dia encontrei-me com meu amado
Mas não pude vê-lo
Pois meus olhos estão presos à auto-piedade
E meu amado não pode ver-me
Pois meu corpo está escondido pela depressão
Seguiu com passadas largas
Continuando sua busca incessante por mim
E ao fazê-lo
Esmagou-me a cabeça com seus pés firmes
Limpando os dejetos cinza na calçada
Mero obstáculo da longa jornada
Para sempre perdido
Dentro de minha própria Creta
Prisioneiro de meu minotauro pessoal

Finalmente encontrei-me com meu amado
Apenas para perdê-lo para o sempre
Sangro lágrimas doloridas
Que queimam meu peito exposto
Em meu sonho fantasia realidade
Isolado no centro desta ilha labirinto
Mas jamais só
Pois eternamente terei comigo
A memória daquele dia em que
Por intermináveis segundos
Encontrei-me com meu amado