Minha avó me ensinou os segredos milenares de nossa família
mágica. Nossos poderes místicos passados de geração em geração para apenas as
mulheres em segredo. A primeira lição que ela me ensinou foi a de não abusar de
minha dádiva e somente utilizá-la para fazer o bem. A segunda lição foi que
nenhum poder é totalmente incorruptível, portanto deveria sempre manter minha
guarda levantada. E a terceira lição foi interrompida por sua morte prematura.
Ao atingir a idade adulta de 13 anos, os anciões da vila decidiram que era o
momento correto para me casar. Eu não queria, mas não podia desobedecê-los,
pois era órfã e já estava passando da idade apropriada, conforme a tradição. O
casamento foi arranjado para a próxima lua cheia com um homem da vila vizinha
que nunca havia conhecido. Ele proveu a vila com decorações e alimentos que
nunca haviam imaginado existir. Todos estavam vivendo momentos de êxtase com
tamanha abundância. Quando o dia chegou, me entregaram o vestido que meu noivo
preparou, porém, havia algo de estranho nele. Tentei fazer uma leitura, mas não
houve tempo, pois não fiquei nenhum segundo sozinha. Durante a cerimônia, não
vi meu noivo, o pesado véu cobriu minha visão todo o momento em que ele esteve
a meu lado. Após a cerimônia, enquanto a vila festejava e banqueteava, meu
noivo me levou para meu novo lar, afastado da vila, quase no meio da floresta,
cercado de solidão e vazio. Não sabia o que esperar. Ao tirar meu véu, não foi
apenas o rosto de um homem o que vi. Era o próprio demônio que estava ante mim.
Tentei invocar meus espíritos protetores, mas eles não conseguiam chegar a mim.
Ao ver meu desespero, o demônio apenas sorriu. Depois disso, apenas me lembro
de meu vestido sendo dilacerado e minha pureza sendo tirada de mim. Pela manhã,
estava só, manchada de sangue e branco. A dor era insuportável. Tentei clamar
pelos espíritos da cura, mas eu não tinha mais voz. Meus poderes haviam sidos
tomados. Com lágrimas rolando pelo meu rosto, eu aprendi a terceira lição. Não
confiar nos homens, eles só desejam tomar o que se pode prover e depois lhe
descartam como as partes podres de uma fruta qualquer. Porém, não ficaria ali
para morrer. Não tinha mais meus poderes, mas ainda tinha meus conhecimentos. E
uma nova sede para viver. A sede para fazer com que todos aqueles que desejaram,
venderam e celebraram a minha ruína pagassem sua parte na barganha com sangue e
fogo.
sábado, 12 de dezembro de 2015
sábado, 5 de dezembro de 2015
Case study 02:
Terceiro ato
Todas as noites eu rezo
Rezo para todos os santos existentes
Na vã esperança que algum deles
Atenda aos meus chamados
Mas esta noite fria não será
A noite de minha graça
Ele vem porta adentro
Jogando o coldre no sofá
E gritando pela comida dele
Enquanto termino de fritar os bifes
Ele larga as peças de roupa pela casa
E vai ai banheiro se lavar
Ao recolher a bagunça
Vejo as manchas de sangue nas botinas
Mais uma pobre alma se foi
E já sei o que isso significa para mim
Fico a seu lado calada
Enquanto ele devora a comida
Me ignorando frente à televisão
Mas como a cerveja não estava gelada o suficiente
O primeiro tapa explode em minha face
Apenas a primeira agressão da madrugada
Eu já nem grito ou imploro para parar
Isso só priora as investidas
Me mantenho imóvel
Enquanto ele invade meu corpo
Meu sangue escorrendo pela minha pele
Vazando por feridas externas e internas
E eu apenas aguardo enlouquecidamente
O fim de mais um rompante desse monstro
Eu tenho nojo
Mas não tenho coragem
Mas não tenho coragem
Eu tenho ódio
Mas não tenho forças
Mas não tenho forças
Só consigo pedir aos santos
Pela noite em que ele retornará em medalha
E enquanto não recebo esse telefonema
Me mantenho desempenhando meu papel
Se quero sobreviver a mais uma noite fria
sábado, 21 de novembro de 2015
Case study 01:
Uma força empurra minhas pernas contra minha vontade. O que
é isso que tenta me arrastar para... Trás? Frente? Onde estou? Como vim parar
aqui? Por que não consigo me desvencilhar desta corrente?
A força cresce e sinto chegar a minha cintura. É água o que
me arrebata, mas não vejo praia, não vejo montanha, vejo apenas névoa e vazio.
Tento chamar por socorro, mas não tenho voz. Tento lutar
contra a maré, mas não tenho energia. E a água só faz subir, apertando meu
peito e me privando de fôlego.
A água invade a minha boca, mas não é mar o que provo, o sal
que amarga minhas papilas são de lágrimas.
E então entendo.
O que me arrasta e me arrebata e me afoga, sou eu mesmo.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Inércia
Inércia
pior que um não sim
pior que um sim não
pior que um não não
viver no talvez é excruciante
respirar se torna extenuante
seguir é inútil
inércia
a inércia dói
o contínuo martírio
a não resposta que corta
a doce esperança que passa
o que fica é apenas amargor
o contínuo amarga
a alma amargada
a vida amargada
um vazio amargo que condena
consome qualquer felicidade
mas nunca totalmente
eterno
contínuo
imutável
não se define
apenas se mantém
sem motivo aparente
apenas machuca
dilacera emoções
despedaça sentimentos
dor
é só o que sinto
dor
domingo, 27 de maio de 2012
I am not!
I am not!
Why is it so difficult for me to understand?
Something so clear and simple
There is nothing I can do
No reason for me to complain
Not a single word to say
Any action to take
Why do I keep making it so hard for me?
Bringing misery upon myself
With every unreasonable thing I do
When I know what the result is going to be
And despite that I go on and do it
While I can’t even shed a lonely tear
To try and make me look like the only pathetic loser
Of my own damn silly choices
Why do I put myself in these dead-end situations?
Where the road was paved by me
To my very own private hell
Of accompanied solitude
As I turn those pages of my life
All I can see is black
A void space in my soul
That I try to fill up
And as I accumulate material stuff
My soul recedes into the dark
Lingering just enough to remind me
Of what I am supposed to be
But I can’t anymore
Why must it be that way?
All I did was play by the rules
I did everything I was asked
And I did it flawlessly
Not lying or pretending or deceiving
And as a rewarding gift
That was all I got
Wrapped in a pretty rosy package
Why am I so simple-minded
That I can only think of the only thing I know I shouldn't?
The words I keep to myself make me suffer
And the ones I’ve already said
Can't make me let it go
When my skin is cold at night
And it’s loving that I need
My body and my mind fight over my sanity
I become a walking contradiction
That even my doppelganger can’t stand
And runs away from me
While the pain takes over my being
Why does it hurt so badly?
When I decided I wouldn’t let it happen
And I feel so alone here
It was supposed to be so simple
An easy matter to understand
Because all I need to know
Is best described in three words
That I need to scream out loud
To make them sink in deep into my soul
So that I can finally believe that
I am not!
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Descontrole
Descontrole
Você me descontrolou
Vindo, tomando, sumindo
Namorando, terminando, aparecendo
Indo, voltando, tomando
Você me descontrola e me controla
Você me abandona a mim mesmo
E eu perco o que lhe deu disposto
Meu corpo fica fraco e dolorido
Meus planos são só planos que nada serão
Nada me é mais meu
Você me toma cada vez que lhe tomo
Cada beijo me toma
Cada gozo me toma
Me violenta meu livre arbítrio
Eu lhe acho e me perco em descontrole
Não me faço sentido e não o quero
Eu fui grande e agora não sei
Não me tolero e lhe quero
Minha falta de controle desespera
Tenho medo e não tenho posse
Não sou meu para ter
Entrego-me meu vazio saqueado
Tomo o que não é meu e me doo
Tenho-lhe só para me perder mais
Meu corpo não me obedece
Pois sabe que é já seu
Meu descontrole me toma e me perco
Não sou mais nada
Sou só seu
Sem controle
Sem posse
Sem plano
Sem próprio
Sem nada
Só seu
Só
Seu
Só
segunda-feira, 6 de junho de 2011
The ballerina
The ballerina
The ballerina was such a happy girl
And her life was such an amazing thing
Her days were all full of light and enjoyment
Dancing to the rhythm of her breathing
Everything turned into music in her ears
Making her reenact all the feelings she could grasp
The ballerina had lots of incredible friends
Each one of them outstanding and unique
In their own quirky ways and mannerisms
So the ballerina performed several dances
Every time she was with them
To entertain them all at all times
And she did it flawlessly
That was the meaning of her life on Earth
To bring happiness to people through her dancing
Until the day she woke up in the morning
And looked at herself in the mirror
Her dress was ripped and her hair was all messed up
Her skirt was the wrong color and she was fat
That’s when the poor ballerina realized
When she thought her friends were having fun with her
They were not having, they were making
And all the ballerina had built to herself
Crumbled with her tears of despair
And as the pieces of the mirror came down
A new life was born to the ballerina
Where the scars she now bared would be her trophies
To the promise she made to her dropping blood
She would never again need the validation of others
Her dancing would be happening within
To her own enjoyment and pleasure
The poor ballerina is now lost within her madness
Running wild through the nights of the city
Not a single friend came to her aid
But that is totally understandable
After all, the dead can’t see or do a thing
Not even her lopsided smile in the dark
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Nossos dias juntos
Nossos dias juntos
O vento frio da noite envolve
Nossos corpos enredados
No início de que sabemos ser
Nossos três dias de paraíso
Nós nos divertimos
Nós nos satisfazemos
Nós nos tornamos um
Na eternidade fugaz do orgasmo
De pernas entrelaçadas
De peitos e mãos unidos
De cumplicidade e desejo
Mas sabemos da verdade
Nossos dois dias de delícia
Estão fadados ao fim
A cada beijo nosso
Os segundos se vão
A cada carícia dada
Os minutos se afogam
A cada união física
As horas se suicidam
E o término do nosso único dia
Baforeja em nossas nucas
Arrazando qualquer tentativa
De felicidade e desprendimento
O ar fechado do ônibus separa
Nossos corpos distantes
Nossas lágrimas incontidas
Banham o esperado início
De nossos dias de inferno
Longes um do outro
Sem data para fim
Com apenas boas lembranças
De momentos inesquecíveis
Provando que aqueles dias
Foram de verdade
Nos mantendo fortes
E nos fazendo acreditar que
As areias do tempo devolverão
Nossos dias juntos
domingo, 3 de maio de 2009
E eu te encontro
E eu te encontroE finalmente eu faço sentido. Eu começo a me entender melhor e viver mais. Eu faço tudo aquilo que todos sempre sonham a vida inteira. Eu acordo com você. Eu cozinho para você. Eu sou mimado por você. Eu cresço ao seu lado. Eu me estabeleço com você. Nós nos deitamos sob as estrelas e você me mostra Vênus e eu sei que eu sou feliz. Sempre você. Sempre igual. Sempre nós dois.
E eu caio.
Nessa felicidade monótona eu me esqueço de regar a paixão. E você encontra outra fonte longe de mim. E eu me desespero na inconstância do novo. Do desconhecido. Do incompreensível. Eu sou só eu. E você é nós sem mim. E eu choro sob as estrelas que nos iluminam a distância. E percebo que mesmo estando quebrado eu ainda estou aqui. Sob a proteção de Vênus. Sozinho. Eu. Sempre.
E eu tento.
O tempo me ensina que eu nunca estou só. A lembrança do que fomos está sempre comigo. Torcendo. Fortalecendo. Acompanhando meu progresso. Nós sempre vai estar dentro de mim. Até mesmo no dia em que nós formos eu sem você. Agora tudo novo. Agora tudo melhor. Porque eu finalmente entendo o que eu devo fazer. Vênus me mostra o caminho. Sempre eu. Sempre em frente. Nunca só.
E eu caminho...
sábado, 11 de abril de 2009
Bocas anônimas

Bocas anônimas
Nossos braços se enroscam nos pêlos um do outro. A batida forte dos instrumentos eletrônicos mexe com nossa libido. Você me olha impassível. Eu devolvo o olhar, e requebro meu quadril por toda a sua perna, pressionando meu eu intumescido na sua coxa. Coloco minha mão no fim das suas costas e você se segura na minha camisa. Nossos olhos se encaram sem dizer nada. Eu sorrio. E você toma o primeiro passo. Lábios macios e quentes. Um leve sabor ácido de cigarro. Língua úmida e aveludada. Maxilar duro e áspero. Nós nos sentimos. Esfrego meu sexo no seu. Puxo seu cabelo. Sugo sua língua. Nos tornamos um pela eternidade de uma música. Um doce sonho interrompido pelas mãos do destino. Ficando o desejo de mais, na ansiedade de experimentar o que não deu tempo. Partes não tocadas. Técnicas não aplicadas. Nomes não ditos. Eu fiz minha parte e você fez a sua. Neste duelo de bocas anônimas, ambos ganhamos e perdemos. Mas esta é apenas a primeira batalha. Vamos à guerra.
domingo, 29 de março de 2009
O jogo
O jogoArrasto-me pelo chão
Lambuzo-me na sujeira
Excito-me pelo cheiro
Do suco melado
Que sai de sua virilha
Tic
Suas pernas abertas
Velhas conhecidas minhas
Seus mamilos endurecidos
Dão-me boas vindas
Mas não reconheço seus olhos
Tic
Retiro a vestimenta de couro
Inebrio-me com meus odores
Minhas mãos abrem caminho
E invado seu templo puro
Com arremetidas animalescas
Tic
Seus membros sangram
Atados às correntes
Contorcendo-se de dor
Sufocando seus gritos de pavor
Na boca cheia de meus dedos
Tic
Rasgo seus seios com meus dentes
Risco suas nádegas com minhas unhas
Lambo seu rosto choroso
E inundo seu interior
Com meu leite profano
Tic
Você me ajudou a me esquecer
Do quão podre e vil sou
Mas no jogo da roleta de hoje
Foi sua vez de perder
Querida não-voluntária anônima
Bang
domingo, 15 de março de 2009
Inveja
InvejaMe olho no espelho. A raiva contorce meu rosto envelhecido de vinte e quatro anos. Minhas feições são sérias, mas belas. Meus olhos cheios de ódio são extremamente sensuais e assustadores. Meu corpo firme reflete minha nudez física e espiritual. É chegada minha hora. Subo na cama. Suas mãos e pés atados à cama. Pílulas lhe deixam letárgico e teso. Você me pergunta por que faço isso. Eu lhe masturbo com raiva e desejo. Você luta contra seu corpo semi-adormecido para se livrar das amarras. Implora para parar com esta brincadeira sem graça. Eu lhe chupo com volúpia e insiro dois dedos no seu ânus. Você chora ao ser violentado. Eu gemo ao cavalgar seu pênis e arranhar seu peito até sangrar. Minhas costas sobem e descem enquanto seguro sua cabeça para olhar dentro de seus olhos durante todo o processo. Gozamos. Você, em convulsões de prazer e arrependimento e frustração e humilhação. Eu, em satisfação. Me levanto após estapear e cuspir no seu rosto. Verifico se a câmera registrou tudo. Acho que a vaca da sua namorada vai adorar esta singela filmagem. Você não me quis. Preferiu aquela vadia. E eu tive que assistir a toda essa felicidade sem poder dizer nada. Não é justo que apenas eu sofra. Agora, estou em paz. Pois mesmo que aquela piranha consiga perdoar e você ainda tenha coragem de olhar para a cara dela depois disto tudo, sempre que ela olhar para seu peito, ela vai ver a minha marca. E sempre que você quiser comê-la, ela vai ver a minha barba por fazer entre suas coxas.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Você
VocêVocê abre a porta do seu quarto e joga a sua jaqueta favorita em uma cadeira. Ela acende a luz e diz que gostou muito do estilo da sua casa, pelo menos da parte que ela viu. Você tira a sua corrente de prata e a coloca delicadamente na mesa. Ela fala e fala e fala. Você se olha no espelho sem saber o que fazer e, pela primeira vez na noite, ouve alguma coisa. Uma música. A nossa música. Ela estava dizendo o quanto gosta desta canção enquanto olhava a sua coleção de cd. Você tira a sua camisa branca banhada no perfume que nós escolhemos juntos e na colônia vagabunda dela. Ela se excita e desce o zíper do vestido carmim, expondo a lingerie negra. Você se aproxima e solta os longos cabelos negros dela, e se lembra dos meus. Ela admira seus músculos e arranha seu peito. Você solta o sutiã e ela pressiona os seios firmes em você. Ela desafivela o seu cinto e você aperta os quadris dela. Você termina de tirar a calça e ela se livra dos sapatos. E pela primeira vez desde que começaram este ritual, você olha nos olhos azuis dela. E neles, você não se vê como você se via nos meus olhos castanhos. Ela sorri maliciosamente, aprovando o que ela vê, e avança. Vocês se enroscam na cama que eu trouxe para sua casa quando me mudei. Você entra na boca dela com sua língua e ela aperta a sua nuca com força e desejo. Mas sou eu quem você beija. É o meu sabor que você sente. Ela se desgruda de você e os beijos dela descem pelo seu peito e abdômen. Mas no espelho em frente a sua cama, quem está entre suas pernas sou eu. Você a joga de costas e a penetra com vigor. Ela geme e grita e arfa. Mas o hálito no seu pescoço é o meu. O sabor do suor na sua boca é o meu. O corpo tremendo de prazer sobre o seu é o meu. Ela goza até desfalecer, mas você não sente nenhum prazer ou alívio. Enquanto ela dorme coberta pelos lençóis que eu dei no seu aniversário, o volume um pouco mais alto da nossa música encobre os sons que você faz enquanto vomita no banheiro. Você está com nojo de si próprio. Cada poro da sua pele que eu tanto admirei exala um odor que você repugna. Você tenta se limpar no chuveiro, mas sabe que não importa quanta água corra pelos seus pêlos, nem quantas lágrimas lambam seu rosto envelhecido pela tristeza, você está marcado para sempre pela minha presença. Você sabe que me perdeu e que foi escolha sua. E por isso o ódio que você sente é maior ainda, pela sua covardia e estupidez. Você se seca na nossa toalha, mas sabe que o meu cheiro não está mais lá. Você pega o nosso perfume, só para perceber que ele acabou. No quarto, você pára o rádio. Nunca mais vai ouvir a música que eu escolhi para nós com tanto carinho. Você sobe nu na cama e descobre o corpo dormente dela. Ela acorda com você a invadindo por trás e a puxando pelos cabelos. Ela está feliz por ter encontrado um amante tão fogoso. Você não sente absolutamente nada. Está morto por dentro, apodrecendo a cada metida. Apenas desempenhando o papel que designou para si próprio. Para sempre acompanhado pelas lembranças da época em que você foi meu e eu fui seu.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Ilusões marinhas
Da série: Do fundo do baú (01/04)Ilusões marinhas
Sinto a brisa do mar soprar no meu rosto
O odor salubre atiça lembranças de um passado inexistente
Lembram o frescor dos seus lábios e o gosto do seu suor
O vento acaricia meu rosto e meus cabelos com mãos suaves, mas firmes
O mormaço úmido esquenta a minha pele em um abraço sensual e cúmplice
As copas das palmeiras dançam uma canção rítmica, monótona e hipnotizante
As folhas das árvores regem a orquestra dos pássaros que tocam uma lenta melodia que me deixa melancólico e sonolento
As ondas sobem e descem na areia da praia delicadamente
E eu me pergunto onde você estará e o que estará fazendo
E sonho...
Beijos ardentes e úmidos
Pele e pêlos quentes e envolventes
Embebedo-me em fantasias impossíveis
Uma lágrima corre pela minha bochecha
E o mar se entristece comigo
O vento não sopra mais...
O mormaço não abrasa mais...
As palmeiras não dançam mais...
Os pássaros não concertam mais...
As ondas não invadem mais...
O sol laranja se esconde no horizonte com vergonha da minha tristeza
E dá lugar à lua cheia, meu naipe regente
Algumas nuvens fugazes tentam nublar a minha mente, mas falham
Você ainda brilha soberanamente na minha noite sem estrelas
Dentro de sua redoma prateada, o coelho se reflete no mar sem ondas
E enquanto assisto passivamente seu passeio
Contemplo
E espero
Pelo dia em que
Delírio
Possamos eclipsar a imensidão do oceano
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
O bosque
Da série: Do fundo do baú (09/03)O bosque
Ouça o som, consegue ouvir a voz do vento? Ele está dizendo que nosso amor é para sempre. Ele fala suave e gentilmente, do jeito que você faz. E eu adoro me sentir abraçado pela sua voz rouca e quente quando sussurra ao meu ouvido tudo o que você quer, desde um simples beijo até as coisas mais provocantes e obscenas. Olha o sol, alto no céu. Hoje é um lindo dia ensolarado, mas não está muito calor, apenas o suficiente, como quando mo abraçou forte naquele dia em que descobrimos aquele sentimento novo e maravilhoso. Sinta o perfume das flores, suave e doce, como seus beijos e seus lábios pequenos que eu adoro beijar e morder e sentir me beijando, e quando você faz isto eu me sinto derreter. Toque a água do lago, pode sentir a força da correnteza? É como você quando quer alguma coisa, e eu adoro sentir a sua força e me subjugar a você e seus joguinhos safados só para satisfazer o seu prazer. Vem, senta na grama verde comigo e veja todas estas árvores. Sempre juntas, como você e eu. Elas vêm de sementes diferentes, mas estão destinadas a ficarem juntas até o fim de suas vidas na Terra. Eu não quero ficar nem um minuto longe de você e estes seus pequenos olhos castanhos que me fascinam e seu hálito doce e seu perfume suave e seu abraço forte e decidido e o nosso amor quentinho. Eu já não sei mais viver longe de você, e eu gosto disto. Eu quero sentir a sua pele deslizando na minha, quero sentir as suas unhas arranhando as minhas costas, quero sentir os seus dentes mordendo o meu ombro todo dia, para sempre. Será que já conseguiu entender porque eu trouxe você para este bosque? Foi só para dizer que eu te amo, e que eu serei seu até quando não tiver mais consciência de mim mesmo e deixar de respirar e voltar para te encontrar novamente enquanto o tempo continuar a girar.
“Eu também te amo.”
“Eu sei. Me beija”
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Jazz e Cosmopolitans
Jazz e CosmopolitansO som do baixo inunda meus sentidos. A melodia suave e descompassada flutua na noite e me carrega. Meu corpo nebula no chaise lounge. Meus olhos desfocados não vêem os carros passando apressadamente pela Avenida Paulista. Meus dedos amolecem ao levantar a taça. Meus lábios entorpecem e se liquefazem com o contato da bebida rosada. Minha mente sublima todo tipo de contato externo. O teclado dança e rodopia e eu me desfaço em vodca e suco de cranberry. Sinto fumaças e odores caros e pretensiosos. Ouço conversas inúteis e risadas confidentes. Noto lábios vermelhos e quadris volumosos. Tateio veludo azul e gelo amornado. Percebo o ácido na boca e o seco na garganta. Afundo neste lago turvo de música e me deixo levar na correnteza bravia que me molha e me arrebata e me afasta de mim mesmo. A batida forte da percussão me tira de meu devaneio e me foco pela primeira vez desde que entrei neste bar. Você entra pela porta de vidro e finalmente a melodia começa a fazer sentido. Sua indumentária agrada meus gostos mais selvagens. Seu perfume me entorpece e domina. Sua voz me acaricia e me aquece e me arrepia. Mas nada se compara a seu mais pungente atributo. Seu beijo forte e macio enfeitiça meus sentidos arrebatadora e orgasmicamente. Nossos Cosmopolitans brindam e celebram. Pois nesta noite, neste bar, nada e ninguém mais importa. Apenas eu, você e a lua crescente.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
A busca
A buscaO cheiro de sálvia e hortelã adentra minhas narinas. O suave e levemente frio vento noroeste acaricia meu rosto. A grama verde e úmida sustenta meus pés e me dão base. O brilho da minha estrela patrona anuncia a hora da partida. A grande e misteriosa lua branca ilumina meu caminho recém descoberto. Meu corpo vibra a cada passo em direção ao meu destino. Cada centímetro que avanço dispara uma engrenagem da onipresente ampulheta e um pedaço de meu passado se desprende e se perde na imensidão deste campo. Não olho para trás ao sentir o calor deixado pelos flocos incandescentes de amargura e arrependimento. Meu rastro queima a ponta de meus cabelos soltos e depois é engolido pelas campinas de narcisos dourados e lírios translúcidos nesta senda sem retorno. Animais silvestres e salamandras selvagens me observam sem medo enquanto adentro seus territórios e me transformo em outro ser. Em certos momentos eu caio e me machuco. Sangro vermelho e adocicado por fora e quente e veludo por dentro. Mas em nenhum instante esmoreço em minha busca. Minha aparência externa continua a mesma para simples olhos mortais. Minhas mudanças internas somente notadas por magos e ciganas me dão força para continuar pelo meu objetivo maior. Cruzo vales e colinas verdejantes e primaveris. Atravesso florestas densas e extensas. Nado rios bravios e subo cachoeiras e cataratas perdidas. Corto blocos de gelo perpétuo e encontro aquilo que busquei por tantas eras mágicas. Minha alma purificada e banhada de toda a mentira da existência desvela as cortinas desta alcova diáfana. No cerne da mais profunda caverna. Guardado por ursos ferozes e generosos e fadas traiçoeiras e invejosas. Protegido por barreiras de fogo fátuo e correntes de diamante. Envolto em puro ácido e luz. Meu coração. Pela primeira vez em minha breve existência milenar toco meus mais sinceros sentimentos e emoções. E após tantas luas nesta jornada mística pela busca do meu EU, percebo que é hora de partir. Vou à busca do conhecido. Do comum. Do vulgar. Algo que nem todo o brilho mágico destas terras arcanas pode prover. Amor. A verdadeira caminhada começa agora.
quinta-feira, 25 de dezembro de 2008
The Broken Heart Lounge
The Broken Heart LoungeI push the door, and the cold wind welcomes me. I'm entering into the Broken Heart Lounge. Here, pity is my eternal companion. I can have a drink with understanding, or play cards with self destruction. Nobody judges my teary face, as my fellow companions have one of their own. Mister waiter is my friend and listens to all my rambling stories and fills me up with alcohol and forget. Despair in a glass scratches my throat as I sallow my sorrows. Here in the Broken Heart Lounge I feel accepted. I can start putting my thoughts together as I drink copiously and throw up on my scattered hopes and dreams, and nobody feels disgusted as they are so busy minding their own damn miseries. The Broken Heart Lounge is the perfect place to get together and hang out while our exes have real fun out there with their new lovers. The couch is always cozy and warm, just waiting for you to lay on it, go to fetal position and wallow. In the Broken Heart Lounge there are plenty of other pathetic losers that will pretend to listen to your amazing stories while they wait for you to get the fucking out of their faces for them to die in peace. Come enjoy the outstanding game room, with all the stuff you'll need to punish and cut yourself for being so damn insignificant. The Broken Heart Lounge. I'll meet you there, as there's no one who has never checked it out for at least a little bit, and feel free to become a regular, because I know I'm already considered a local.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2008
Esta noite
Esta noiteVendas me cegam
Amarras unem meus pulsos
Sou guiado por quem mais confio para não sei onde
Dentro da sala úmida e quente
Mãos invadem meus recantos mais íntimos
Meus lábios são mordiscados selvagemente
Meu peito fustigado por unhas e chicotes
Minhas pernas servem como aperitivo para lacaios devotos
Meu pênis disputado como uma iguaria rara
Violentado por toda a madrugada
Convulsiono de prazer incontavelmente
Após horas anônimas
A voz a quem pertenço sussurra em meus ouvidos
Que agora estou pronto
Não sinto seus caninos perfurando minha aorta
O sangue vertente sacia a sede Daquilo que cri meu
Sou drenado até não ser mais que um amontoado de ossos e pele disforme
Como aqueles que me prepararam para este momento
Um dia
Belo e apaixonado
Dei tudo o que era para quem considerei minha completude
Esta noite
Descartado como apenas aquilo que fui para quem tanto amei
Mais uma refeição
Nó na garganta
Nó na gargantaSinto a brisa do mar em meu rosto. O cheiro salgado queima as minhas narinas por dentro. As ondas avançam com a cheia, molhando meus pés roçando a areia. A sujeira acumulada enrosca entre meus dedos. Meus braços cansados se penduram como galhos quebrados. Meu corpo nu se violenta na maré crescente. Meus olhos secos encaram a lua cheia saboreando meu flagelo contínuo. Meus pulsos cortados mancham a água salgada. Meu pescoço quebrado queima com o balanço da corda. Meu peito perfurado incha e esvazia na inutilidade da respiração. Meu coração entorpecido por pílulas não bombeia. Minha alma para sempre presa neste corpo permeado pelo sangue profano de Caim. Herança imposta sem meu consentimento pela qual devo pagar infinitamente. E tudo que posso fazer é esperar pelo retorno de meu algoz. Meu eterno, belo e sádico algoz.
terça-feira, 16 de dezembro de 2008
O olhar
O olharEntro no meu carro e o cheiro dos bancos de couro me excita. Ao colocar a chave na ignição, o radio geme aquela música que me deixa no clima. Abro as janelas, o ar gelado de São Paulo penetra meus pulmões. O ronco do motor possante anuncia que eu estou na noite. No celular, as mensagens me dizem qual é a balada quente de hoje, e é para onde vou. Na porta, meu nome VIP deixa todos reles mortais na fila com inveja. Eu entro e já domino o lugar. A melhor mesa é minha e todos meus amigos me esperam na pista de dança. Corpos quentes se esfregam em mim no compasso da música e bocas me beijam e sugam minha nuca. Neste mar de lascividade, eu encontro um olhar próximo ao bar. Me observando. Me devorando. Me convidando. Eu levanto a camiseta e causo secura e desejo. Enquanto engole o resto do Jack Daniel’s, me sinaliza com a cabeça meu próximo destino. Pegada forte. Aperto firme. Língua safada. Mão esperta. Começa a descer meu zíper, mas é aqui que nos separamos. O gosto do whiskey fica na minha boca e me deixa permanentemente teso enquanto me acabo junto ao DJ. Sou beijado inúmeras vezes, mas não me dou conta. Minha mente presa na música e naquele par de lábios anônimos. Meus amigos me avisam que está na hora de deixar meu parque de diversões particular. Enquanto pago a comanda, busco aquele rosto singular, mas tudo que vejo é insosso e borrado. A cor se esvai. A música acaba. E eu estou só. Lá fora, o sol se prepara para sair. Aqui dentro, eu estou sozinho e vazio. No estacionamento, encontro meu carro e aquele olhar com jaqueta e botão da calça aberto. A cor volta. A música recomeça. Entramos no meu carro e o cheiro dos bancos de couro nos excita. Nós sorrimos, pensando em todas as perversões que faremos quando finalmente estivermos entre quatro paredes e em cima do nosso palco de cetim. O ronco do motor possante anuncia que, para nós, a noite apenas começou.
domingo, 14 de dezembro de 2008
The pay back
Da série: Escrevi mas não postei. (07/12/08)
The payback
The crowd is surrounding me. I can't feel the air I'm breathing. People I do and don't recognize talk to me, but I'm simply unable to understand a single word. Their faces confuse me and trick me to trust them all. I stumble on their jokes and pity, and they laugh at my ingenuity, on my back, thinking that I can't see them. But the time for payback has arrived. I moved on. I don't need them anymore, and now it’s their time to rely on me and feel hopeless. I don't need you all. I'm better than all of you and I’ll be sure to tell every single one of you that mistreated me when I was weak and needy. My new persona is coming at full speed, and there is no way to stop me. Would you please get out of my way? Thank you and don't ever bother to even look at me. Don't see ya.
The payback
The crowd is surrounding me. I can't feel the air I'm breathing. People I do and don't recognize talk to me, but I'm simply unable to understand a single word. Their faces confuse me and trick me to trust them all. I stumble on their jokes and pity, and they laugh at my ingenuity, on my back, thinking that I can't see them. But the time for payback has arrived. I moved on. I don't need them anymore, and now it’s their time to rely on me and feel hopeless. I don't need you all. I'm better than all of you and I’ll be sure to tell every single one of you that mistreated me when I was weak and needy. My new persona is coming at full speed, and there is no way to stop me. Would you please get out of my way? Thank you and don't ever bother to even look at me. Don't see ya.
Pulsar
Da série: Escrevi mas não postei. (30/11/08)
Pulsar
Meu coração pulsa forte e constante, vibrando todo meu corpo a cada batida. Meus pelos se eriçam e um calafrio percorre minha espinha. Meus poros e veias se expandem. Minha garganta seca e minha respiração ofega. Hoje, assim como na noite anterior, e na noite antes dessa, nós estamos dando vazão a tanto amor que sentimos um pelo outro.
Pulsar
Meu coração pulsa forte e constante, vibrando todo meu corpo a cada batida. Meus pelos se eriçam e um calafrio percorre minha espinha. Meus poros e veias se expandem. Minha garganta seca e minha respiração ofega. Hoje, assim como na noite anterior, e na noite antes dessa, nós estamos dando vazão a tanto amor que sentimos um pelo outro.
Get away
Da série: Escrevi mas não postei. (22/11/08)
Get away
I gotta get away
I gotta run away
Get the hell outta here
This is not my place anymore
Sair daqui
Mudar este ambiente
Tirar esse ar decadênte
Que permeia meus pulmões
Não quero mais
Não aguento mais
Me tira daqui
I've been taken hostage
I need air
I need to get to anywhere else
This is my goodbye
I'm getting the fuck outta here
Get away
I gotta get away
I gotta run away
Get the hell outta here
This is not my place anymore
Sair daqui
Mudar este ambiente
Tirar esse ar decadênte
Que permeia meus pulmões
Não quero mais
Não aguento mais
Me tira daqui
I've been taken hostage
I need air
I need to get to anywhere else
This is my goodbye
I'm getting the fuck outta here
sábado, 13 de dezembro de 2008
O show começou

O show começou
Eu aperto o play na minha música preferida e a noite começa. Jatos de água quente massageiam minhas costas enquanto o sabonete desliza safado pelo meu corpo, acariciando minha pele sensível. A toalha felpuda suga todas as gotas que insistem em se grudar a mim e eu me sinto quente. O hidratante penetra minhas curvas. A underware aperta meu sexo com volúpia e me sinto irresistível. A calça sobe obscenamente, confinando meu objeto de poder atrás do zíper. A camiseta se desenha em meus músculos cuidadosamente esculpidos, e se molda com perfeição, mostrando apenas aquilo que quero mostrar e insinuando aquilo que quero que desejem. Os óculos de sol e a jaqueta de couro adicionam o elemento perigo. A corrente de prata acessoriza a produção e o espelho me faz sentir gostoso. O hálito de menta e as gotas do perfume cítrico estrategicamente colocadas encerram a imagem de Homem. Desligo o rádio e pego as chaves do carro. O show apenas começou, a noite me aguarda.
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