Minha avó me ensinou os segredos milenares de nossa família
mágica. Nossos poderes místicos passados de geração em geração para apenas as
mulheres em segredo. A primeira lição que ela me ensinou foi a de não abusar de
minha dádiva e somente utilizá-la para fazer o bem. A segunda lição foi que
nenhum poder é totalmente incorruptível, portanto deveria sempre manter minha
guarda levantada. E a terceira lição foi interrompida por sua morte prematura.
Ao atingir a idade adulta de 13 anos, os anciões da vila decidiram que era o
momento correto para me casar. Eu não queria, mas não podia desobedecê-los,
pois era órfã e já estava passando da idade apropriada, conforme a tradição. O
casamento foi arranjado para a próxima lua cheia com um homem da vila vizinha
que nunca havia conhecido. Ele proveu a vila com decorações e alimentos que
nunca haviam imaginado existir. Todos estavam vivendo momentos de êxtase com
tamanha abundância. Quando o dia chegou, me entregaram o vestido que meu noivo
preparou, porém, havia algo de estranho nele. Tentei fazer uma leitura, mas não
houve tempo, pois não fiquei nenhum segundo sozinha. Durante a cerimônia, não
vi meu noivo, o pesado véu cobriu minha visão todo o momento em que ele esteve
a meu lado. Após a cerimônia, enquanto a vila festejava e banqueteava, meu
noivo me levou para meu novo lar, afastado da vila, quase no meio da floresta,
cercado de solidão e vazio. Não sabia o que esperar. Ao tirar meu véu, não foi
apenas o rosto de um homem o que vi. Era o próprio demônio que estava ante mim.
Tentei invocar meus espíritos protetores, mas eles não conseguiam chegar a mim.
Ao ver meu desespero, o demônio apenas sorriu. Depois disso, apenas me lembro
de meu vestido sendo dilacerado e minha pureza sendo tirada de mim. Pela manhã,
estava só, manchada de sangue e branco. A dor era insuportável. Tentei clamar
pelos espíritos da cura, mas eu não tinha mais voz. Meus poderes haviam sidos
tomados. Com lágrimas rolando pelo meu rosto, eu aprendi a terceira lição. Não
confiar nos homens, eles só desejam tomar o que se pode prover e depois lhe
descartam como as partes podres de uma fruta qualquer. Porém, não ficaria ali
para morrer. Não tinha mais meus poderes, mas ainda tinha meus conhecimentos. E
uma nova sede para viver. A sede para fazer com que todos aqueles que desejaram,
venderam e celebraram a minha ruína pagassem sua parte na barganha com sangue e
fogo.
sábado, 12 de dezembro de 2015
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