sábado, 12 de dezembro de 2015

Case study 03:

Minha avó me ensinou os segredos milenares de nossa família mágica. Nossos poderes místicos passados de geração em geração para apenas as mulheres em segredo. A primeira lição que ela me ensinou foi a de não abusar de minha dádiva e somente utilizá-la para fazer o bem. A segunda lição foi que nenhum poder é totalmente incorruptível, portanto deveria sempre manter minha guarda levantada. E a terceira lição foi interrompida por sua morte prematura. Ao atingir a idade adulta de 13 anos, os anciões da vila decidiram que era o momento correto para me casar. Eu não queria, mas não podia desobedecê-los, pois era órfã e já estava passando da idade apropriada, conforme a tradição. O casamento foi arranjado para a próxima lua cheia com um homem da vila vizinha que nunca havia conhecido. Ele proveu a vila com decorações e alimentos que nunca haviam imaginado existir. Todos estavam vivendo momentos de êxtase com tamanha abundância. Quando o dia chegou, me entregaram o vestido que meu noivo preparou, porém, havia algo de estranho nele. Tentei fazer uma leitura, mas não houve tempo, pois não fiquei nenhum segundo sozinha. Durante a cerimônia, não vi meu noivo, o pesado véu cobriu minha visão todo o momento em que ele esteve a meu lado. Após a cerimônia, enquanto a vila festejava e banqueteava, meu noivo me levou para meu novo lar, afastado da vila, quase no meio da floresta, cercado de solidão e vazio. Não sabia o que esperar. Ao tirar meu véu, não foi apenas o rosto de um homem o que vi. Era o próprio demônio que estava ante mim. Tentei invocar meus espíritos protetores, mas eles não conseguiam chegar a mim. Ao ver meu desespero, o demônio apenas sorriu. Depois disso, apenas me lembro de meu vestido sendo dilacerado e minha pureza sendo tirada de mim. Pela manhã, estava só, manchada de sangue e branco. A dor era insuportável. Tentei clamar pelos espíritos da cura, mas eu não tinha mais voz. Meus poderes haviam sidos tomados. Com lágrimas rolando pelo meu rosto, eu aprendi a terceira lição. Não confiar nos homens, eles só desejam tomar o que se pode prover e depois lhe descartam como as partes podres de uma fruta qualquer. Porém, não ficaria ali para morrer. Não tinha mais meus poderes, mas ainda tinha meus conhecimentos. E uma nova sede para viver. A sede para fazer com que todos aqueles que desejaram, venderam e celebraram a minha ruína pagassem sua parte na barganha com sangue e fogo.

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