quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

The Broken Heart Lounge

The Broken Heart Lounge

I push the door, and the cold wind welcomes me. I'm entering into the Broken Heart Lounge. Here, pity is my eternal companion. I can have a drink with understanding, or play cards with self destruction. Nobody judges my teary face, as my fellow companions have one of their own. Mister waiter is my friend and listens to all my rambling stories and fills me up with alcohol and forget. Despair in a glass scratches my throat as I sallow my sorrows. Here in the Broken Heart Lounge I feel accepted. I can start putting my thoughts together as I drink copiously and throw up on my scattered hopes and dreams, and nobody feels disgusted as they are so busy minding their own damn miseries. The Broken Heart Lounge is the perfect place to get together and hang out while our exes have real fun out there with their new lovers. The couch is always cozy and warm, just waiting for you to lay on it, go to fetal position and wallow. In the Broken Heart Lounge there are plenty of other pathetic losers that will pretend to listen to your amazing stories while they wait for you to get the fucking out of their faces for them to die in peace. Come enjoy the outstanding game room, with all the stuff you'll need to punish and cut yourself for being so damn insignificant. The Broken Heart Lounge. I'll meet you there, as there's no one who has never checked it out for at least a little bit, and feel free to become a regular, because I know I'm already considered a local.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Esta noite

Esta noite

Vendas me cegam
Amarras unem meus pulsos
Sou guiado por quem mais confio para não sei onde
Dentro da sala úmida e quente
Mãos invadem meus recantos mais íntimos
Meus lábios são mordiscados selvagemente
Meu peito fustigado por unhas e chicotes
Minhas pernas servem como aperitivo para lacaios devotos
Meu pênis disputado como uma iguaria rara
Violentado por toda a madrugada
Convulsiono de prazer incontavelmente
Após horas anônimas
A voz a quem pertenço sussurra em meus ouvidos
Que agora estou pronto
Não sinto seus caninos perfurando minha aorta
O sangue vertente sacia a sede Daquilo que cri meu
Sou drenado até não ser mais que um amontoado de ossos e pele disforme
Como aqueles que me prepararam para este momento
Um dia
Belo e apaixonado
Dei tudo o que era para quem considerei minha completude
Esta noite
Descartado como apenas aquilo que fui para quem tanto amei
Mais uma refeição

Nó na garganta

Nó na garganta

Sinto a brisa do mar em meu rosto. O cheiro salgado queima as minhas narinas por dentro. As ondas avançam com a cheia, molhando meus pés roçando a areia. A sujeira acumulada enrosca entre meus dedos. Meus braços cansados se penduram como galhos quebrados. Meu corpo nu se violenta na maré crescente. Meus olhos secos encaram a lua cheia saboreando meu flagelo contínuo. Meus pulsos cortados mancham a água salgada. Meu pescoço quebrado queima com o balanço da corda. Meu peito perfurado incha e esvazia na inutilidade da respiração. Meu coração entorpecido por pílulas não bombeia. Minha alma para sempre presa neste corpo permeado pelo sangue profano de Caim. Herança imposta sem meu consentimento pela qual devo pagar infinitamente. E tudo que posso fazer é esperar pelo retorno de meu algoz. Meu eterno, belo e sádico algoz.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

O olhar

O olhar

Entro no meu carro e o cheiro dos bancos de couro me excita. Ao colocar a chave na ignição, o radio geme aquela música que me deixa no clima. Abro as janelas, o ar gelado de São Paulo penetra meus pulmões. O ronco do motor possante anuncia que eu estou na noite. No celular, as mensagens me dizem qual é a balada quente de hoje, e é para onde vou. Na porta, meu nome VIP deixa todos reles mortais na fila com inveja. Eu entro e já domino o lugar. A melhor mesa é minha e todos meus amigos me esperam na pista de dança. Corpos quentes se esfregam em mim no compasso da música e bocas me beijam e sugam minha nuca. Neste mar de lascividade, eu encontro um olhar próximo ao bar. Me observando. Me devorando. Me convidando. Eu levanto a camiseta e causo secura e desejo. Enquanto engole o resto do Jack Daniel’s, me sinaliza com a cabeça meu próximo destino. Pegada forte. Aperto firme. Língua safada. Mão esperta. Começa a descer meu zíper, mas é aqui que nos separamos. O gosto do whiskey fica na minha boca e me deixa permanentemente teso enquanto me acabo junto ao DJ. Sou beijado inúmeras vezes, mas não me dou conta. Minha mente presa na música e naquele par de lábios anônimos. Meus amigos me avisam que está na hora de deixar meu parque de diversões particular. Enquanto pago a comanda, busco aquele rosto singular, mas tudo que vejo é insosso e borrado. A cor se esvai. A música acaba. E eu estou só. Lá fora, o sol se prepara para sair. Aqui dentro, eu estou sozinho e vazio. No estacionamento, encontro meu carro e aquele olhar com jaqueta e botão da calça aberto. A cor volta. A música recomeça. Entramos no meu carro e o cheiro dos bancos de couro nos excita. Nós sorrimos, pensando em todas as perversões que faremos quando finalmente estivermos entre quatro paredes e em cima do nosso palco de cetim. O ronco do motor possante anuncia que, para nós, a noite apenas começou.

domingo, 14 de dezembro de 2008

The pay back

Da série: Escrevi mas não postei. (07/12/08)

The payback

The crowd is surrounding me. I can't feel the air I'm breathing. People I do and don't recognize talk to me, but I'm simply unable to understand a single word. Their faces confuse me and trick me to trust them all. I stumble on their jokes and pity, and they laugh at my ingenuity, on my back, thinking that I can't see them. But the time for payback has arrived. I moved on. I don't need them anymore, and now it’s their time to rely on me and feel hopeless. I don't need you all. I'm better than all of you and I’ll be sure to tell every single one of you that mistreated me when I was weak and needy. My new persona is coming at full speed, and there is no way to stop me. Would you please get out of my way? Thank you and don't ever bother to even look at me. Don't see ya.

Pulsar

Da série: Escrevi mas não postei. (30/11/08)

Pulsar

Meu coração pulsa forte e constante, vibrando todo meu corpo a cada batida. Meus pelos se eriçam e um calafrio percorre minha espinha. Meus poros e veias se expandem. Minha garganta seca e minha respiração ofega. Hoje, assim como na noite anterior, e na noite antes dessa, nós estamos dando vazão a tanto amor que sentimos um pelo outro.

Get away

Da série: Escrevi mas não postei. (22/11/08)

Get away

I gotta get away
I gotta run away
Get the hell outta here
This is not my place anymore
Sair daqui
Mudar este ambiente
Tirar esse ar decadênte
Que permeia meus pulmões
Não quero mais
Não aguento mais
Me tira daqui
I've been taken hostage
I need air
I need to get to anywhere else
This is my goodbye
I'm getting the fuck outta here

sábado, 13 de dezembro de 2008

O show começou


O show começou
Eu aperto o play na minha música preferida e a noite começa. Jatos de água quente massageiam minhas costas enquanto o sabonete desliza safado pelo meu corpo, acariciando minha pele sensível. A toalha felpuda suga todas as gotas que insistem em se grudar a mim e eu me sinto quente. O hidratante penetra minhas curvas. A underware aperta meu sexo com volúpia e me sinto irresistível. A calça sobe obscenamente, confinando meu objeto de poder atrás do zíper. A camiseta se desenha em meus músculos cuidadosamente esculpidos, e se molda com perfeição, mostrando apenas aquilo que quero mostrar e insinuando aquilo que quero que desejem. Os óculos de sol e a jaqueta de couro adicionam o elemento perigo. A corrente de prata acessoriza a produção e o espelho me faz sentir gostoso. O hálito de menta e as gotas do perfume cítrico estrategicamente colocadas encerram a imagem de Homem. Desligo o rádio e pego as chaves do carro. O show apenas começou, a noite me aguarda.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Tudo é muito efêmero


Tudo é muito efêmero

Tudo é muito efêmero. Nós somos breves demais. Nosso corpo delicado não resiste a muita coisa. E nossa mente frágil se despedaça como a asa de uma borboleta. Mas eu aceito esta situação imposta por Deus. Pois não importa quantos séculos tenham passado. Quantas gerações tenham morrido. Quantas estrelas tenham entrado em nova. Eu sei que um dia eu te amei. E que você me amou. E que, em uma época longínqua, quando bípedes mamíferos povoavam as planícies do que fora conhecido como Planeta Terra, nós nos amamos, sem nos preocuparmos com bobagens como o futuro ou o destino. Apenas apreciando o fato de estarmos vivos juntos, gozando desta dádiva abençoada. Obrigado por existir, meu amor, e por fazer deste instante fugaz, algo eterno e tão belo.