Jazz e CosmopolitansO som do baixo inunda meus sentidos. A melodia suave e descompassada flutua na noite e me carrega. Meu corpo nebula no chaise lounge. Meus olhos desfocados não vêem os carros passando apressadamente pela Avenida Paulista. Meus dedos amolecem ao levantar a taça. Meus lábios entorpecem e se liquefazem com o contato da bebida rosada. Minha mente sublima todo tipo de contato externo. O teclado dança e rodopia e eu me desfaço em vodca e suco de cranberry. Sinto fumaças e odores caros e pretensiosos. Ouço conversas inúteis e risadas confidentes. Noto lábios vermelhos e quadris volumosos. Tateio veludo azul e gelo amornado. Percebo o ácido na boca e o seco na garganta. Afundo neste lago turvo de música e me deixo levar na correnteza bravia que me molha e me arrebata e me afasta de mim mesmo. A batida forte da percussão me tira de meu devaneio e me foco pela primeira vez desde que entrei neste bar. Você entra pela porta de vidro e finalmente a melodia começa a fazer sentido. Sua indumentária agrada meus gostos mais selvagens. Seu perfume me entorpece e domina. Sua voz me acaricia e me aquece e me arrepia. Mas nada se compara a seu mais pungente atributo. Seu beijo forte e macio enfeitiça meus sentidos arrebatadora e orgasmicamente. Nossos Cosmopolitans brindam e celebram. Pois nesta noite, neste bar, nada e ninguém mais importa. Apenas eu, você e a lua crescente.

Nenhum comentário:
Postar um comentário