
Bocas anônimas
Nossos braços se enroscam nos pêlos um do outro. A batida forte dos instrumentos eletrônicos mexe com nossa libido. Você me olha impassível. Eu devolvo o olhar, e requebro meu quadril por toda a sua perna, pressionando meu eu intumescido na sua coxa. Coloco minha mão no fim das suas costas e você se segura na minha camisa. Nossos olhos se encaram sem dizer nada. Eu sorrio. E você toma o primeiro passo. Lábios macios e quentes. Um leve sabor ácido de cigarro. Língua úmida e aveludada. Maxilar duro e áspero. Nós nos sentimos. Esfrego meu sexo no seu. Puxo seu cabelo. Sugo sua língua. Nos tornamos um pela eternidade de uma música. Um doce sonho interrompido pelas mãos do destino. Ficando o desejo de mais, na ansiedade de experimentar o que não deu tempo. Partes não tocadas. Técnicas não aplicadas. Nomes não ditos. Eu fiz minha parte e você fez a sua. Neste duelo de bocas anônimas, ambos ganhamos e perdemos. Mas esta é apenas a primeira batalha. Vamos à guerra.

Nenhum comentário:
Postar um comentário