Uma força empurra minhas pernas contra minha vontade. O que
é isso que tenta me arrastar para... Trás? Frente? Onde estou? Como vim parar
aqui? Por que não consigo me desvencilhar desta corrente?
A força cresce e sinto chegar a minha cintura. É água o que
me arrebata, mas não vejo praia, não vejo montanha, vejo apenas névoa e vazio.
Tento chamar por socorro, mas não tenho voz. Tento lutar
contra a maré, mas não tenho energia. E a água só faz subir, apertando meu
peito e me privando de fôlego.
A água invade a minha boca, mas não é mar o que provo, o sal
que amarga minhas papilas são de lágrimas.
E então entendo.
O que me arrasta e me arrebata e me afoga, sou eu mesmo.

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