Som
Eu ouço o lençol roçando nas suas pernas
Enquanto você sai da cama
A bela imagem da sua nudez
Deixando o cetim branco
Me entristece
O guincho da torneira corta meu estômago
E as gotas da água retumbam na minha cabeça
Que gira e aperta e esmaga
O sabonete deslizando em sua pele
A toalha lambendo seu corpo
O perfume banhando sua nuca
Cantam harmonicamente
Em uma orquestra demoníaca
Seus cabelos molhados chicoteiam
O ar que me dilacera
O jeans aperta seu quadril e pélvis
E aquela camiseta que dei
Se modela em seu peito perfeito
As roupas jogadas na mala
Se estapeiam por um pouco de espaço
Amarradas e jogadas nas suas costas
O tilintar das chaves abre
Engrenagens mortas em mim
Minha nudez manchada
Rasga o cetim branco
E nos encaramos frente à porta
Estico meu braço
Eu sem som
Você sem som
Que segura minha mão
Segundos
Horas
Vidas
Nada dura
Enquanto a porta bate às suas costas
As lágrimas brotam de meus olhos
Meus joelhos espancam o chão
E pela primeira vez
Grito
Berro
Histericamente
Até sentir o gosto do sangue
Escorrendo pela minha garganta desvirginada
Mas já é tarde demais
Pois nada mais será ouvido
Nunca
Jamais
segunda-feira, 21 de abril de 2008
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